Quando idealizei criar uma clínica de cirurgia plástica, imaginei a materialização de um sonho. Um espaço onde a cirurgia plástica, tantas vezes considerada a especialidade mais fútil e superficial, pudesse ser feita com humanismo, valores, ética, e até magia. Um lugar onde ajudássemos as pessoas num processo profundo de transformação, reconstruindo-se de dentro para fora e de fora para dentro, alcançando um equilíbrio harmonioso entre mente e corpo.
A saúde mental sempre foi a minha paixão. Talvez porque eu própria enfrentei desafios nessa área, fruto das circunstâncias da vida: ser filha de pais separados, mudar de cidade cinco vezes, e encontrar, na interação com os outros, uma forma de amar ser humana e viver.
Por outro lado, trabalhar com as mãos foi algo que surgiu de forma natural. O meu pai, também médico, tem uma alma de cirurgião. Cresci a observá-lo e, desde os cinco anos, descobri um fascínio por costurar. Talvez isso tenha plantado em mim a semente para combinar três paixões: a saúde mental, o trabalho manual e, claro, a medicina, a carreira que sempre admirei no meu pai. Só havia uma especialidade que integrava estas três dimensões: a cirurgia plástica.
Desde cedo percebi que a cirurgia plástica era a minha especialidade de sonho. Não foi uma caminhada fácil, mas tive ao meu lado a maior força do universo: o amor, que para mim é sinónimo de Deus. Fazer medicina com sentido é dar-lhe um sabor diferente: é colocar o paciente no centro de tudo, dar o melhor de nós dentro das possibilidades técnicas e humanas, e gerir expectativas, uma das ferramentas mais importantes em cirurgia plástica.
Decidi criar esta clínica num momento especialmente desafiador: durante uma depressão pós-parto, após o nascimento do meu primeiro filho, em 2016. Foi um período em que equilibrei o internato cirúrgico com a maternidade, enfrentando a falta de apoio familiar por estar em Lisboa.